Ritmos, cantos, atabaques,
É o som da alegriaEm momentos da senzala
Na esperança da alforria.
Sorri a mãe preta
Na dança gingada,
Esquecendo os tormentos
De su’alma cansada.
E o negro se transforma
No ritmo, na dança
E o sorriso criança
Domina-lhe a face
Que cansada renova-se.
E canta, canta e canta,
A alegria da vida,
Esquecendo
A liberdade perdida
Muito além destes mares.
E neste cantar,
Instantes de glória
No assédio da negra
Que às palhas espera.
No celeiro, a sensualidade
Nos abraços, na entrega
Da negra dengosa,
Que fogosa se perde
No afago do seu negro
Agora “Senhor”.
Ah! Quanto ardor nesta entrega.
Espaço tempo infinito
Tão pleno de amor reprimido.
E neste encontro do céu com a terra,
Fundem-se corpos e as almas
Dormentes na dor.
...E me vejo ante a senzala,
Crianças brincando inocentes.
...E a voz se cala,
Ante mãe-preta mostrando seus dentes,
No riso solto de rosto bonito,
Sofrimento contido na alma escrava.
E retorno ao terreiro
Entre sons e atabaques.
No seu rito, no seu canto de glória,
O negro se faz livre
No culto a Xangô.
E se entrega a Oxalá e seus Orixás,
Cantando Gêge, Banto e Nagô.
(Canto)
Caô! Meu pai Xangô!
Peça a Oxalá, pra aliviar
A minha dor.
(Florianópolis 05/06/04 - 22:40)


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