Como reação contra o Parnasianismo e o excesso de objetivismo que caracteriza esse estilo, surge uma nova estética, o Simbolismo. É curioso notar que esse movimento literário possui um ponto de contacto com a já extinta e superada escola romântica. De fato, voltam os simbolistas ao antigo subjetivismo, dando ênfase ao eu" do autor, à exploração de sua alma, de seu sentimento. de sua sensibilidade.
Entretanto, se os autores românticos, nessa exploração do “eu" não passam das camadas mais superficiais da alma humana, o mesmo não acontece com os autores simbolistas. Adotando o mesmo princípio romântico que leva o artista à exploração de seu mundo interior, o simbolista penetra profundamente na exploração de sua própria alma. atingindo mesmo as camadas de seu subconsciente. chegando a regiões até então nunca exploradas pelos poetas.
Essa introversão por demais profunda, trouxe consigo a necessidade de se criar uma maneira nova de expressar os sentimentos encontrados. já que a gramática normal, a sintaxe comum, as imagens e metáforas até então usadas eram insuficientes, ou melhor, comuns demais para expressar o que até então nunca havia sido exteriorizado, pois os simbolistas atingiram zonas - do subconsciente anterior à própria fala e à lógica.
Surge então a necessidade de se criarem novas formas de expressão. Vão os autores simbolistas encontrar essas formas no uso do símbolo, explorando o seu elevado poder sugestivo, permissível à aproximação daquilo que é meramente vago ou palpável. Com isso, acreditavam que poderiam traduzir as realidades inefáveis para trazê-las à tona sem lhes alterar a ilusionomia, o que não seria possível usando os processos convencionais.
Dentro dessa técnica, um elevado valor é dado à exploração da musicalidade das palavras, já que a música é o que melhor invoca o impalpável graças ao seu aspecto de alta sugestão. Aparece, em consequência disso. o verso sonoro, colorido, próximo à sinestesia.
Ressalte-se ainda que todo o mundo interior, difuso e variado do artista atua no sentido do culto do misterioso, do vago, do oculto: daí ser o simbolismo uma estética difícil, hermética, acessível a poucos.
No Brasil, o Simbolismo se inicia em 1893, com a publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Souza, não tendo, porém, encontrado ressonâncIa na alma dos nossos autores e muito menos na alma do público.
Habituados ao Parnasianismo, estilo relativamente fácil e que requeria, quase que exclusivamente, facilidade no versejar, os poetas brasileiros, em grande número na época, mas, em sua maioria, medíocres, não aceitaram o Simbolismo, que exigia muito mais do que o conhecimento de uma "arte poética".
Além disso, a longevidade dos nossos poetas parnasianos que continuaram a produzir durante todo o período Simbolista - enquanto que estes eram poucos, não constituindo, a bem dizer, um grupo - contribuiu de maneira poderosa para a continuação do Parnasianismo durante o período de desenvolvimento da estética simbolista, sufocando este estilo.
Dos autores simbolistas brasileiros, destacam-se principalmente, Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens, além de Emiliano Perneta. B. Lopes, Severino de Resende e outros.

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