sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

REMINISCÊNCIA ( Crônica)

                                        (Adyr Pacheco)


O sorriso do sol em inicio de primavera, leva-me naturalmente aos rincões da infância. Com saudade, as lembranças das molecagens, das peraltices, brincadeiras inocentes dos amigos correndo pelos morros, pelas matas, nas brincadeiras simples de cawbói.

À noite, cansados das tantas brincadeiras, Dona Maria, minha mãe, recebia-nos com uma saborosa sopa após o banho. Chuveiro, era artigo de luxo, uma grande bacia cheia de água morna nos proporcionava momentos verdadeiramente gostosos.

Atrás do fogão à lenha (fogão rústico de tijolos) ali recebíamos, (eu e meu irmão mais velho) a saborosa sopa, e nos deliciávamos com o aconchegante calor que desprendia do fogão.

Como era bom o encontro no colégio com os coleguinhas, professores, as horas cívicas, que em todas as manhãs de sábado éramos levados a participar. Mãos no peito, cabeça levantada e o hino nacional éramos convidados a cantar, enquanto a bandeira nacional lentamente era hasteada. Recital de poesias com conteúdo patriótico orgulhosamente apresentávamos imaginando um futuro risonho neste gigante de berço esplêndido.

...E a meninada fazia festa, a algazarra nas ruas era grande, a alegria irradiava-se numa felicidade imensa, era o Natal chegando.

Comunidade pobre, brinquedos simples, mas o simples fato da chegada do Papai Noel e a atmosfera radiante do natal, contagiava o ambiente. A época era diferente nas emoções, na alegria, nas comemorações. Os sentimentos eram mais puros e aureolados de grande inocência. Época em que falava-se apenas com os olhos e a criançada sentia naturalmente o rigor em que era admoestada; baixava a cabeça e corrigia-se rapidamente.

O tempo passou, veio a adolescência, tornei-me adulto e hoje na maturidade da vida, aureolado pelos cabelos grisalhos, as lembranças são fontes que alegram e fortalecem as energias que harmonizam-me o coração.

(Florianopolis    26/09/02 - 15:00)

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