O sorriso do sol em inicio de primavera, leva-me naturalmente aos rincões da infância. Com saudade, as lembranças das molecagens, das peraltices, brincadeiras inocentes dos amigos correndo pelos morros, pelas matas, nas brincadeiras simples de cawbói.À noite, cansados das tantas brincadeiras, Dona Maria, minha mãe, recebia-nos com uma saborosa sopa após o banho. Chuveiro, era artigo de luxo, uma grande bacia cheia de água morna nos proporcionava momentos verdadeiramente gostosos.
Atrás do fogão à lenha (fogão rústico de tijolos) ali recebíamos, (eu e meu irmão mais velho) a saborosa sopa, e nos deliciávamos com o aconchegante calor que desprendia do fogão.
Como era bom o encontro no colégio com os coleguinhas, professores, as horas cívicas, que em todas as manhãs de sábado éramos levados a participar. Mãos no peito, cabeça levantada e o hino nacional éramos convidados a cantar, enquanto a bandeira nacional lentamente era hasteada. Recital de poesias com conteúdo patriótico orgulhosamente apresentávamos imaginando um futuro risonho neste gigante de berço esplêndido.
...E a meninada fazia festa, a algazarra nas ruas era grande, a alegria irradiava-se numa felicidade imensa, era o Natal chegando.
Comunidade pobre, brinquedos simples, mas o simples fato da chegada do Papai Noel e a atmosfera radiante do natal, contagiava o ambiente. A época era diferente nas emoções, na alegria, nas comemorações. Os sentimentos eram mais puros e aureolados de grande inocência. Época em que falava-se apenas com os olhos e a criançada sentia naturalmente o rigor em que era admoestada; baixava a cabeça e corrigia-se rapidamente.
O tempo passou, veio a adolescência, tornei-me adulto e hoje na maturidade da vida, aureolado pelos cabelos grisalhos, as lembranças são fontes que alegram e fortalecem as energias que harmonizam-me o coração.
(Florianopolis 26/09/02 - 15:00)

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