terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MÁSCARAS E PECADOS (Crônica)

(Adyr Pacheco)


Somos na maioria das vezes, pretensiosos ao analisarmos os pecados alheios. Descobrimo-nos sem graça, ao olharmos as profundezas de nossas consciências, deparando-nos com os tantos e tantos pecados que praticamos no silêncio de nossos olhos, ou entre as sombras de nossos pensamentos.

Figuras por nós consideradas, exemplos de moral, verdadeiros heróis, grandes vilões seriam; despojados de seus segredos ocultos nas cavernas profundas de suas mentes.

Somos na realidade, pobres seres deficientes ainda em estágio na pequenez humana.

Pobres de nós, adultos considerados, colocados diante do julgamento Divino. Pobres de nós, que nos julgamos tão sábios, fortes, inteligentes, espertos e privilegiados por estarmos classificados no pilar arrogante dos “racionais”.

Diante do portal do túmulo, fatalmente, queiramos ou não, no tribunal de nossas consciências, nossos juizes internos de dedo em riste colocar-nos-ão na devida posição, desnudando-nos de nossas máscaras e mentiras que protegeram nossos pecados ao longo de toda uma existência na busca de prestígio, elevando altares à Deusa Hipocrisia.
E entendemos que todos os seres humanos tem a sua personalidade como característica básica de seu proceder.

Mas o que entendemos por personalidade?

Segundo o dicionário wikipedia, personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. O termo deriva do grego persona, com significado de máscara, designava a "personagem" representada pelos atores teatrais no palco.

Então colocamos nossas máscaras no palco da vida para podermos representar os nossos papéis conforme nossas necessidades ou “interesses”. Saímos na manhã de cada dia revestidos de nossas personas (máscaras) ao encontro de um mundo louco e insano, nos perdendo na conquista de um espaço que nos faça reconhecido e admirado - para muitos não interessando a forma ou o tipo de máscara.

...E percebemos neste mundo das “personas” a atmosfera de desconfiança cruel e agressiva. Lembramo-nos a partir desta colocação, de nossa infância, quando ouvíamos a todos instantes entre pessoas do relacionamento da família, e nas conversa de casa, que, “um fio de barba vale mais que um papel assinado”. Bons tempos aqueles, pois que hoje, nem em papel assinado pode-se confiar. Como dizia Rui Barbosa “chegará o tempo em que as pessoas terão vergonha de serem chamadas de honestas...”

Vamos buscar no pensamento de Einstein - "A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência" Que bom quando isto acontecer, onde a personalidade criadora possa julgar-se de forma ilibada, verdadeira e sincera; verdadeiro sonho a se conquistar, hoje não passando de uma utopia.

Apontamos nosso dedo em direções variadas chamando atenção ao erro alheio, mas esquecemos que quando estamos apontando nosso dedo, as nossas mãos fecham deixando com que três dedos fiquem direcionados a nós. Se quisermos mudar o mundo, precisamos antes de mais nada mudarmos a nós mesmos. No dizer de Leon Tolstoi "Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo."

Nos lembramos do exemplo das crianças, que não vêem maldade à sua volta, e a tudo recebem com naturalidade. Seu mundo é maravilhoso e verdadeiro onde as máscaras da hipocrisia não tem espaço.

Precisamos agora mais que nunca, resgatar e fortalecer os pilares incólumes da criança que se esconde nas cavernas de nossa mente, em sua inocência e simplicidade. Resgatar o brio perdido a vergonha esquecida. Resgatar esta mesma criança que desconhece as infelizes máscaras, e não se subordina aos desmandos do arrogante orgulho e da falsidade constante. Buscá-la sim, na profundidade de nossa alma, despertando a beleza que se esconde nos buracos submersos de nossa pobre e viciada consciência , para que, desta forma, possamos construir um mundo melhor de harmonia amor e paz.

Precisamos sim, agora mais que nunca, despertarmo-nos para a criança que somos e que latente grita em sua inocência dentro do peito de cada um de nós seres chamados "humanos".

Que a busca permanente do respeitoso encontro da verdade, do afeto, do riso, do amor e da amizade espontânea, seja a tônica de nossa relação com o sublime universo e a natureza, como o raiar de um novo sol de primavera, ou o perfume de uma flor.

(Florianópolis 09/11/03)

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