segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DE REPENTE

(Adyr Pacheco)








 De repente,
Como se não fosse nada
Fugi da loucura.
E estou aqui
Hóspede na clausura,
Procurando atenção
Como doente sem cura.


De repente
Vivo o momento.
Considero as mudanças
Na oportunidade que se abre.
Mas não sei se a voz
Que em mim cala sabe,
De alguma luz que se consagre.


Pobre homem!
Que de repente
Confuso, é um intruso
Na cela sem nada
Sem chance alcançada,
Na agonia aflita
Pobre e desnudo.


Num poço abandonado,
Sou um menino neste poço.
Convidado sem louvores
Numa casa sinistra.


De repente e mais que de repente,
Já não tenho mais vista.
Não percebo a claridade
Da irradiante mocidade,
E não enxergo os meus erros
Nas pseudos verdades.


De repente... de repente...
Sou espectro andando cego
No mundo sentenciado
Tateando nas paredes
Como espírito renegado.


(Florianópolis 17/07/04 - 21:30)




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