domingo, 10 de janeiro de 2010

CORAGEM (Crônica)

                                      (Adyr Pacheco)



















Escrever crônicas, foi algo que sempre tive vontade de fazer.

Faltava-me porém, coragem para me enveredar por esses novos caminhos.

Eis que aqui me encontro, cheio de coragem para mais esta experiência.

Como dizia Vinícius de Moraes, quando não encontrares inspiração sobre algum tema, escreva qualquer coisa. Escreva sobre a cadeira à tua frente, sobre a parede que te cerca, o teto que te abriga “force a barra” mas escreva.

Estou escrevendo cheio de coragem, incentivado então pelo poeta Vinícius de Moraes, porque só assim e desta forma, vou saber se realmente possuo alguma qualidade.

“Coragem” pois, é o tema sobre o qual inicio a presente caminhada, aproveitando a oportunidade do encorajamento que o “Poetinha” me proporcionou.

A influência deste paradoxo -medo e coragem- que envolve a alma humana tem produzido muitos dissabores, desastres e derrotas, bem como, também, tem produzido muitos seres com a auréola do sucesso e da vitória.

Quantos de nós possuem coragem para assumirem a própria identidade?... Quando falo de coragem, quero deixar entender que falo dos aspectos e dos anseios que nos envolvem a alma, por assim dizer, o espírito.

Coragem de falar das nossas verdades para aqueles que nos cercam, e por acharmos que nossas verdades não serão aceitas, por medo de nos expormos ao "ridículo" e á crítica, calamos.

Coragem para efetuarmos algum negócio ou comprarmos um “bem” de que necessitamos. Por acharmos que o dinheiro poderá nos fazer falta amanhã ou depois , deixamos de concretizar este ou aquele negócio que nos seria interessante e até mesmo promissor.

Coragem para assumirmos uma postura religiosa diferente daquela que professamos por influência da familia, amigos, sociedade etc. então por pura covardia não a assumimos por medo de contrariarmos nossos amigos e familiares.

Coragem para acabarmos com um relacionamento sentimental desgastado que não tenha mais solução. Mas por comodismo , ou medo, nos acovardamos.

Coragem para arregaçarmos as mangas, e com garra e determinação conquistarmos espaços melhores na sociedade. Mas covardemente, preferimos o ostracismo, aliado a inveja dos que assim procedem.


Coragem para rompermos com conceitos, filosofias e padrões que não mais acreditamos.

Coragem até mesmo de fazer as coisas mais simples que necessitamos, como: chorar, dar uma boa gargalhada, cantar em uma roda de amigos, ou até mesmo dizermos um pequeno discurso para esses mesmos amigos, e outras coisas mais.

Coragem para assumirmos nossos erros, as nossas mentiras, os enganos e desenganos de nossas vidas.

Coragem para fazer deixar fluir o lado positivo da personalidade, do caráter, ou seja, a essência do que se tem de melhor em nosso universo interior. Poder refazer, recomeçar tudo de novo quando necessário, sem ter medo de errar ou de falhar nesta nova proposta.

Como podemos entender então, vendo o lado prático e objetivo das coisas; a coragem está interligada direta ou indiretamente à nossa capacidade de sermos honestos com nós mesmos.

Por medo de perdermos algumas das coisas que possuímos, seja credibilidade monetária ou sentimental, deixamos de tomar atitudes com as nossas verdades mais profundas. Verdadeiramente, preferimos a forma sádica, ou seja, continuar sofrendo os dissabores “da falta de coragem”, sendo infantilmente hipócrita, deixando mentirosamente, todos acreditarem que estamos de bem com a vida e com o mundo.

Coragem, é um atributo de disciplina; é desafiar-se superando limitações, através de virtudes como: determinação, garra, despreendimento, espírito de luta, vontade férrea de mudar, dizer, falar, defender idéias sem medo de fracasso; e humildade, para aceitar a postura dos que não comungarem com nossas idéias e ideais, respeitando conseqüentemente as verdades alheias. Assim haveremos de chegar aos portais da morte, à beira do túmulo, sem receios, recalques ou frustrações, porque vivemos a vida na sua essência; com honestidade, sinceridade e respeito, acima de tudo por nós mesmos.


Somos enfim, (pela visão manifestada no final do prágrafo acima) heróis de nosso próprio mundo. Vitoriosos por vencermos as batalhas da preguiça, da hipocrisia e covardia sem máscaras.

Por outro lado, vítimas de nosso próprio fracasso. Envergonhados de nossa incapacidade de administrarmos a grande força que reside em nosso interior, nos veremos sentados à frente do tribunal do júri de nossa própria consciência, sofrendo os dissabores das acusações: culpados pela covardia, preguiça, omissão etc. etc. etc.

A verdade das verdades, é que poucos têm a verdadeira coragem de defender seu “espaço”, os seus limites “territoriais”, comungando com as verdades sinceras que poderiam desenvolver.

Louvemos então os verdadeiros heróis deste mundo, aqueles que souberam professar as suas verdades de maneira corajosa inteligente, humilde e honesta.

É bom que se diga que para professarmos alguma verdade, não é necessário entrarmos em conflitos, guerras, ou criarmos dissidências, ofendendo aqueles que não nos compreendem. Exemplo disto encontramos em Moisés, Ghandi, Buda, Jesus Cristo, São Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Allan Kardec e mais recentemente Luther King e Nelson Mandela. Mensageiros que implantaram as suas verdades com coragem empunhando a bandeira da paz, sem medo, proselitismo ou hipocrisia.

Se quisermos ter um mundo melhor no amanhã, precisamos criar uma sociedade honesta e sincera, mas acima de tudo de CORAGEM, defensora de suas verdades com lucidez e sensatez.

O mundo está cansado de hipocrisias e mentiras.

Sejamos verdadeiros, tenhamos coragem. Só assim haveremos de construir um mundo mais feliz e melhor.

Minha gratidão portanto, ao poeta Vinícius de Moraes, por ter através de seu livro (“Para Viver um Grande Amor”) me incentivado a ter coragem. Com brio e auto estima renovada, saio então do ostracismo colocando a cara na janela para que, sem  hipocrisias, mentiras ou covardia, possa me expor às críticas, elogios, aplausos ou rejeições, mas acima de tudo sendo verdadeiro, com CORAGEM!!!...


(Florianópolis, 08/11/99   - 15:00)

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